Fui preso em flagrante. O que acontece agora?
O telefone toca de madrugada. Do outro lado, a notícia: “fulano foi preso”. A partir daí, o mundo desaba. Ninguém sabe o que fazer, para quem ligar, quanto tempo vai durar, nem o que vai acontecer nas próximas horas.
Se você está vivendo isso agora, respire. Este artigo explica, em linguagem simples, o passo a passo do que acontece depois de uma prisão em flagrante — e o que você precisa fazer para proteger seus direitos (ou os de quem você ama).
O que é prisão em flagrante?
A prisão em flagrante acontece quando alguém é surpreendido cometendo um crime ou logo após cometê-lo. Existem três tipos:
Flagrante próprio: a pessoa é pega no momento do crime.
Flagrante impróprio: a pessoa é perseguida logo após o crime.
Flagrante presumido: a pessoa é encontrada logo depois, com objetos ou sinais que indicam que cometeu o crime.
Em qualquer um desses casos, a polícia pode prender sem mandado judicial.
O passo a passo das primeiras 24 horas
1. Abordagem e voz de prisão
A pessoa é informada de que está presa. Nesse momento, já tem direito a:
Saber o motivo da prisão.
Permanecer em silêncio.
Ser acompanhada por advogado.
Ter a família informada.
2. Condução à delegacia
A pessoa é levada à delegacia, onde o delegado analisa se a prisão foi legal. Se entender que sim, lavra o Auto de Prisão em Flagrante (APF).
3. Comunicação à família e ao advogado
A polícia é obrigada a informar a família ou a pessoa indicada pelo preso. Se você não tem advogado, pode indicar um — e a Defensoria Pública atua se necessário.
4. Exame de corpo de delito
O preso passa por exame para verificar lesões. Isso protege contra violência policial e documenta o estado físico.
5. Encaminhamento ao presídio ou cadeia pública
Após a lavratura do auto, o preso é encaminhado ao sistema prisional, onde aguardará a audiência de custódia.
6. Audiência de custódia (em até 24 horas)
Essa é a etapa mais importante. Em até 24 horas, o preso é levado diante de um juiz, que vai decidir:
Relaxar a prisão (se foi ilegal).
Conceder liberdade provisória (com ou sem fiança).
Manter a prisão preventiva (se houver risco à ordem pública ou à investigação).
O que fazer (e o que não fazer)
O que fazer:
Contratar um advogado criminalista imediatamente.
Informar-se sobre a delegacia e o horário da audiência de custódia.
Reunir documentos pessoais do preso.
Manter a calma e não tentar “resolver” sozinho.
O que NÃO fazer:
Não tentar negociar com a polícia sem advogado.
Não assinar documentos sem orientação.
Não falar sobre o caso com terceiros.
Não perder tempo: as primeiras 24 horas são decisivas.
Perguntas frequentes
Preciso de advogado mesmo se for inocente?
Sim. A inocência precisa ser provada tecnicamente — e o advogado é quem garante isso.
Posso falar com a polícia sem advogado?
Pode, mas não deve. Você tem o direito de permanecer em silêncio.
Quanto tempo a pessoa fica presa em flagrante?
Até a audiência de custódia, que deve ocorrer em até 24 horas.
Posso pagar fiança para soltar a pessoa?
Depende do crime. Em alguns casos, a fiança é concedida pelo delegado; em outros, só pelo juiz.
O que acontece se a prisão for considerada ilegal?
O juiz pode relaxar a prisão e a pessoa é solta imediatamente.
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Natalina Schubsky – Advogada Criminal, Especialista em Execução Penal, Membro Permanente da Comissão de Política Criminal e Penitenciária da OAB|SP, vinculada à Comissão de Direitos Humanos
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Este conteúdo é informativo e não substitui a análise jurídica individualizada de cada caso. Para mais informações, envie mensagem pelo WhatsApp
